Ana Salgueiro Teatro - Aveiro

sábado, 11 de outubro de 2014

“A Fera” – 1989, GRETUA

“A Fera” – 1989, de Charles Marowitz a partir de “A Fera Amansada” de Shakespeare, com encenação de Isabel Alves. Tenho pena de não ter ficado com mais fotos desta peça, creio que na altura me ofereceram apenas aquelas onde eu tinha mais destaque. A primeira é dos ensaios, vê-se o José Vaz Simão a tirar-me uma foto no espelho.






As outras são dos dois pequenos momentos 'altos' que tinha, um a ser castigada pela irmã, a Cláudia Stattmiller, e outro a 'castigá-la'. Nunca me senti bem, nem no primeiro registo, nem no segundo. Claro que vestir aquele vestido vermelho, era outra coisa. 
As cenas só com homens eram fantásticas, muito 'Era uma Vez na América', todos gangsters.
O Miguel Coutinho, o João Reis (outro valoroso que infelizmente já não está entre nós) e o Vitor (que será feito desse Vitor?). O João Brás era o pai.

Creio que a Isabel Alves quis fazer uma crítica à relação homem-mulher, com o domínio do primeiro e a submissão da segunda. 
Era também sobre o facto de não haver pessoas boas e pessoas más, mas apenas pessoas, todas de coração e cabeça cheios, de virtudes e de defeitos. E ainda bem. 








domingo, 5 de outubro de 2014

O Café de Fassbinder - GRETUA 1990

Este foi certamente o meu papel mais arrojado, e a peça mais incrível e mais experimental em que tive o privilégio de participar.

O café, de Rainer Werner Fassbinder / GRETUA - Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro. - Aveiro : GRETUA, [1990]. - 1 cartaz : color. ; 68x48 cm

Num mundo pós apocalíptico, num bunker, eu representava uma prostituta quasi-cibernética, vestida como uma espécie de pipi das meias altas, figurino concebido pelo Pedro Andrade. Este papel levou-me a rapar o cabelo e a pintá-lo de louro platinado, a pedido do encenador. Só arranjei coragem no último momento, na véspera da estreia.

Mas ainda bem que o fiz.

João Paulo Costa dos antigos Comediantes do Porto encenou. Trabalho fantástico, mesmo.

O palco era um gradeamento em ferro sobre um lago criado artificialmente nas catacumbas da Universidade de Aveiro, no qual era difícil o equilíbrio. Entre outras músicas o Klaus Nomi encoava, numa das cenas mais fortes, simulação estilizada do acto sexual https://www.youtube.com/watch?v=p_w5yNDRJKs, criando uma imagem e um jogo de sombras muito belos.

Os ensaios de preparação, antes do texto, foram muitas vezes ao som do Nick Cave, em canções como Tupelo.

Entravam a Claudia Stattmiller, o Miguel Coutinho, o Paulo Moreira, o João Brás, o Paulo Correia, o José Vaz Simão, a Teresa Grancho, ahhhhhhhhhhhhhh GRETUA daquele tempo.

O José Vaz Simão, presente nesta foto, morreu alguns anos depois num acidente de mota, quando já era um jovem e promissor actor da Escola da Noite, em Coimbra. Foi um dos actores mais incríveis que já passaram pelo GRETUA. Um pequeno monstro de palco.




domingo, 28 de setembro de 2014

O Incrível Sonho do Rapaz Bicicleta

Peça escrita por mim e levada à cena no CETA, em Dezembro passado.





O Rapaz Bicicleta de uma história anterior adormece e sonha com o mar, com a partida, com uma melhor vida. No sonho torna-se o Homem da Bolacha Americana, encontra o Velho Lobo do Mar, o Fernando Pessoa (Álvaro), as Mulheres (Teresa e Etelvina), o Aviador, o Ajudante de Cena e o Homem das Finanças. Personagens que podiam ser Aveirenses ou de outros locais do mundo.

Uma peça onde as crianças se divertiam, mas onde os adultos se sentiam de certa forma identificados, como se pretendia.

Um exercício interessante: pais e crianças juntos, para se divertirem no Teatro.

Fotografias do António Julio Lemos (Samy) figurinos da Patrícia Shim, cartaz da Cláudia Alexandrino e claro, os fantásticos queridos, Maricato Fábio, Catherine Oliveira, Ana Tavares, Arlindo Silva, Mané Sanches, Carlos Conde, Sérgio Bento e Fátima Camões, senhores actores e senhoras actrizes amadores, porque amam muito o Teatro. Obrigada.